Uma vez a cada quinze dias é realizado um bailinho de tango entre alguns apreciadores do estilo musical. Dançarinos de todos os níveis e outros convidados comparecem aos bailes como um meio de interação entre os interessados.
Em geral, o público que comparece é composto por pessoas de 30, 35 anos, existindo suas exceções que são compostas majoritariamente de jovens. Aparentemente, o tango não é muito difundido no brasil. O que é uma pena.
Então num sábado, recebo uma ligação de uma amiga conhecida.
- Léo, hoje tem bailinho, viu?
- É?
- É! E estamos precisando de cavalheiros bons!
- Hahaha. Entendo e que tipo toca hoje, Manu?
- Eletrotango. E nem vem que eu sei que é seu predileto!
O eletrotango é uma versão de tango mais moderna por assim dizer. Por ser um estilo criado recentemente, poucos são os adeptos do eletrotango. E entre os adeptos, sua grande maioria é jovem. Logo, convenci-me de ir ao bailinho que ha tanto não freqüentava.
Chegando lá, ouço o ritmo hipnotizante da música argentina vindo do ambiente. Abri um sorriso animado involuntariamente, estavam tocando Gotan Project.
Logo encontro a amiga responsável pelo convite: olhos castanhos alegres, sorriso fácil, cabelos negros longos e lisos, corpo esbelto e perfeitamente modelado por anos de dança.
Algo que posso ressaltar sobre minha amizade com Manuelle é definitivamente nosso entrosamento no tango. Dançamos juntos por mais de 3 anos e ambos já instruímos algumas turmas durante alguns meses e apresentamos em congressos.
Manu se aproximou com seu sorriso largo já me convidando para dançar. Segurei-a pela cintura, puxando-a para mim e dançamos até o centro do salão. O ritmo acelerado do tango eletrônico excitava Manu a ponto dela me provocar com os olhos divertidamente sedutores, ‘Vamos, Leo. Me mostra como se dança!’
Aceleramos o ritmo, dançando um tempo mais rápido e chamando atenção dos presentes. A perna de Manu envolvia meu corpo com destreza e suavidade, enquanto a guiava com precisão. A diversão era clara em seu rosto, o que sempre me deixou a vontade de elaborar um pouco mais nossos passos. Nossos corpos colados e de movimentos claros atraía cada vez mais observadores até que ao fim do primeiro tango, ouvimos alguns aplausos. Sorrimos um para o outro e começamos o segundo tango, enquanto mais pessoas chegavam ao local.
A segunda música era bem mais lenta e ritmada, atraindo mais casais até a pista. Com a atenção desviada de nós, pudemos dançar mais ao nosso ritmo. Puxei Manu para um giro rápido que a deixou de costas para mim. Colei meu corpo no dela, sentindo a batida da música guiar seu belo corpo. Nosso encaixe era praticamente perfeito. Senti uma de suas pernas subindo entre as minhas e descendo logo antes de chegar à virilha. Girei-a novamente, colando nossos corpos em seguida e descemos juntos, olhos nos olhos e bocas a poucos centímetros de distância.
A música terminou, mas o tempo pareceu se estender um pouco mais enquanto nos olhávamos. Manu parecia entregue, seus olhos sempre risonhos me encaravam com uma intensidade nova. Subimos lentamente, ainda colados e extremamente próximos. Uma outra música já havia começado e nós ainda nos olhávamos. Até que ela pareceu voltar a si e saiu inesperadamente atrás de um copo de água.
Resolvi terminar de cumprimentar os conhecidos presentes no baile, enquanto esperava Manu para terminarmos nosso tango. No tango, existe uma tradição onde o casal dança pelo menos cinco músicas juntos, para que um possa sentir a dança do outro. Por isso, aguardei até que Manu voltou para pista.
Sorri para ela, dando-lhe minha mão e ela a pegou um pouco sem jeito. Guiei-a até o centro da pista e a música terminou. Outra começou em seguida e um olhar malicioso surgiu em seu rosto ao reconhecer a música que havíamos apresentado no último congresso de tango. Retribui o sorriso e me preparei para repetir a coreografia já gravada em nossas cabeças. A música rápida e complexa mudava o tempo repetidas vezes, mas nossa dança era sensual e exata.
Próximo ao final da música, entramos numa seqüência de giros que terminava com ela de costas para mim, com seu corpo recostado no meu e suas mãos envolvendo meu pescoço. Senti a silhueta de sua bunda roçando no volume entre minhas pernas que só fazia crescer e ainda de costas para mim virou o rosto malicioso falando baixinho para que só eu escutasse, ‘E olha que ainda faltam dois tangos...’
Nossos tangos seguintes foram encharcados de sensualidade e libido sempre bem disfarçados entre nossos passos seguros. O local já estava cheio, o que dificultava um pouco a dança, por isso decidimos tomar um drink.
Manu disse que precisava de ar fresco, então pegamos nossas bebidas e fomos para a área externa. Ainda era possível escutar a música que vinha do salão e nos mantermos parados era algo incomum. Aproximei-me dela já embalado no ritmo da batida e segurei sua cintura subindo os olhos de suas pernas, por sua barriga e seus seios, até seus olhos. Como aquele vestido vinho lhe caía bem! Ela olhava para mim com a intensidade de antes o que me fez parar por um segundo. Então ela pousou as mãos em meus ombros e se aproximou lentamente de mim.
- Sabe Léo, tem uma coisa que nunca te falei... – disse aproximando-se ainda mais.
- É mesmo... o que seria? – falei imóvel.
- Eu adoro o seu cheiro... – falou lentamente, quase num sussurro enquanto inspirava próxima ao meu pescoço, subindo até o ouvido – Ele é muito gostoso...
Os pêlos do meu pescoço se eriçaram no mesmo instante. Virei seu rosto para o meu e lhe dei um beijo calmo. Envolvi sua cintura com um dos braços enquanto lhe acariciava o rosto. O beijo se tornava mais envolvente a cada segundo decorrido. Sentia sua língua macia envolvendo a minha quando uma amiga dela deu uma risadinha chamando sua atenção.
Manu pediu um segundo enquanto ia de encontro a amiga e falava algo. Voltou em seguida e me deu um sorriso enquanto soltava um convite.
- O que você acha de ir para um lugar mais reservado?
- Eu acho uma ótima idéia. – disse retribuindo o sorriso.
- Então vamos, tenho um ótimo vinho lá em casa! – disse me guiando.
- Eu adoro vinho... – disse olhando para seu vestido.
Curiosidade da segunda (ou de segunda...)
1 hora atrás





