sábado, 27 de junho de 2009

O Tango (parte 01)


Uma vez a cada quinze dias é realizado um bailinho de tango entre alguns apreciadores do estilo musical. Dançarinos de todos os níveis e outros convidados comparecem aos bailes como um meio de interação entre os interessados.
Em geral, o público que comparece é composto por pessoas de 30, 35 anos, existindo suas exceções que são compostas majoritariamente de jovens. Aparentemente, o tango não é muito difundido no brasil. O que é uma pena.
Então num sábado, recebo uma ligação de uma amiga conhecida.

- Léo, hoje tem bailinho, viu?
- É?
- É! E estamos precisando de cavalheiros bons!
- Hahaha. Entendo e que tipo toca hoje, Manu?
- Eletrotango. E nem vem que eu sei que é seu predileto!

O eletrotango é uma versão de tango mais moderna por assim dizer. Por ser um estilo criado recentemente, poucos são os adeptos do eletrotango. E entre os adeptos, sua grande maioria é jovem. Logo, convenci-me de ir ao bailinho que ha tanto não freqüentava.
Chegando lá, ouço o ritmo hipnotizante da música argentina vindo do ambiente. Abri um sorriso animado involuntariamente, estavam tocando Gotan Project.
Logo encontro a amiga responsável pelo convite: olhos castanhos alegres, sorriso fácil, cabelos negros longos e lisos, corpo esbelto e perfeitamente modelado por anos de dança.
Algo que posso ressaltar sobre minha amizade com Manuelle é definitivamente nosso entrosamento no tango. Dançamos juntos por mais de 3 anos e ambos já instruímos algumas turmas durante alguns meses e apresentamos em congressos.
Manu se aproximou com seu sorriso largo já me convidando para dançar. Segurei-a pela cintura, puxando-a para mim e dançamos até o centro do salão. O ritmo acelerado do tango eletrônico excitava Manu a ponto dela me provocar com os olhos divertidamente sedutores, ‘Vamos, Leo. Me mostra como se dança!’
Aceleramos o ritmo, dançando um tempo mais rápido e chamando atenção dos presentes. A perna de Manu envolvia meu corpo com destreza e suavidade, enquanto a guiava com precisão. A diversão era clara em seu rosto, o que sempre me deixou a vontade de elaborar um pouco mais nossos passos. Nossos corpos colados e de movimentos claros atraía cada vez mais observadores até que ao fim do primeiro tango, ouvimos alguns aplausos. Sorrimos um para o outro e começamos o segundo tango, enquanto mais pessoas chegavam ao local.
A segunda música era bem mais lenta e ritmada, atraindo mais casais até a pista. Com a atenção desviada de nós, pudemos dançar mais ao nosso ritmo. Puxei Manu para um giro rápido que a deixou de costas para mim. Colei meu corpo no dela, sentindo a batida da música guiar seu belo corpo. Nosso encaixe era praticamente perfeito. Senti uma de suas pernas subindo entre as minhas e descendo logo antes de chegar à virilha. Girei-a novamente, colando nossos corpos em seguida e descemos juntos, olhos nos olhos e bocas a poucos centímetros de distância.
A música terminou, mas o tempo pareceu se estender um pouco mais enquanto nos olhávamos. Manu parecia entregue, seus olhos sempre risonhos me encaravam com uma intensidade nova. Subimos lentamente, ainda colados e extremamente próximos. Uma outra música já havia começado e nós ainda nos olhávamos. Até que ela pareceu voltar a si e saiu inesperadamente atrás de um copo de água.
Resolvi terminar de cumprimentar os conhecidos presentes no baile, enquanto esperava Manu para terminarmos nosso tango. No tango, existe uma tradição onde o casal dança pelo menos cinco músicas juntos, para que um possa sentir a dança do outro. Por isso, aguardei até que Manu voltou para pista.
Sorri para ela, dando-lhe minha mão e ela a pegou um pouco sem jeito. Guiei-a até o centro da pista e a música terminou. Outra começou em seguida e um olhar malicioso surgiu em seu rosto ao reconhecer a música que havíamos apresentado no último congresso de tango. Retribui o sorriso e me preparei para repetir a coreografia já gravada em nossas cabeças. A música rápida e complexa mudava o tempo repetidas vezes, mas nossa dança era sensual e exata.
Próximo ao final da música, entramos numa seqüência de giros que terminava com ela de costas para mim, com seu corpo recostado no meu e suas mãos envolvendo meu pescoço. Senti a silhueta de sua bunda roçando no volume entre minhas pernas que só fazia crescer e ainda de costas para mim virou o rosto malicioso falando baixinho para que só eu escutasse, ‘E olha que ainda faltam dois tangos...’
Nossos tangos seguintes foram encharcados de sensualidade e libido sempre bem disfarçados entre nossos passos seguros. O local já estava cheio, o que dificultava um pouco a dança, por isso decidimos tomar um drink.
Manu disse que precisava de ar fresco, então pegamos nossas bebidas e fomos para a área externa. Ainda era possível escutar a música que vinha do salão e nos mantermos parados era algo incomum. Aproximei-me dela já embalado no ritmo da batida e segurei sua cintura subindo os olhos de suas pernas, por sua barriga e seus seios, até seus olhos. Como aquele vestido vinho lhe caía bem! Ela olhava para mim com a intensidade de antes o que me fez parar por um segundo. Então ela pousou as mãos em meus ombros e se aproximou lentamente de mim.

- Sabe Léo, tem uma coisa que nunca te falei... – disse aproximando-se ainda mais.
- É mesmo... o que seria? – falei imóvel.
- Eu adoro o seu cheiro... – falou lentamente, quase num sussurro enquanto inspirava próxima ao meu pescoço, subindo até o ouvido – Ele é muito gostoso...

Os pêlos do meu pescoço se eriçaram no mesmo instante. Virei seu rosto para o meu e lhe dei um beijo calmo. Envolvi sua cintura com um dos braços enquanto lhe acariciava o rosto. O beijo se tornava mais envolvente a cada segundo decorrido. Sentia sua língua macia envolvendo a minha quando uma amiga dela deu uma risadinha chamando sua atenção.
Manu pediu um segundo enquanto ia de encontro a amiga e falava algo. Voltou em seguida e me deu um sorriso enquanto soltava um convite.

- O que você acha de ir para um lugar mais reservado?
- Eu acho uma ótima idéia. – disse retribuindo o sorriso.
- Então vamos, tenho um ótimo vinho lá em casa! – disse me guiando.
- Eu adoro vinho... – disse olhando para seu vestido.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Moleskine do Léo

Boa noite querido leitores.

Estou passando hoje aqui para anunciar a inauguração d'O Moleskine do Léo. Um blog onde falarei exclusivamente sobre minhas viagens pelo mundo afora.

De agora em diante Os Contos de Léo será novamente voltado para contos e relatos eróticos.

Volto em breve com o próximo texto!

Um beijo mordido.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Roteiro de Viagem

“Isso promete ser divertido…”

Conversei recentemente com um grande amigo que tem me acompanhado nesta viagem através deste blog. Discutimos algumas horas sobre algumas das minhas recentes experiências e, então, ele me sugeriu que montasse um tipo de diário de bordo ou roteiro de viagem, de acordo com o desenrolar de minha estadia. Achei uma excelente idéia e tomei nota de alguns fatos que antes omitia e que podem ser do interesse de algum leitor.

Paraparaumu – KM 51
Como a principal cidade da costa Kapiti, Paraparaumu tem quase de tudo para os viajantes. O centro da cidade conta com mais de 50 lojas diversificadas, assim como bancos, supermercados e cinemas. Ao norte da cidade existe um tipo de parque de fazendas onde o interessado pode encontrar alguns shows (não tive a oportunidade de conhecer) e produtores de alguns alimentos como queijo, azeitonas, mel, sorvete, entre outros (altamente recomendado!).
A praia de Paraparaumu é um dos pontos mais práticos para viagens de barco até a ilha Kapiti. No entanto, as viagens precisam ser marcadas com certa antecedência no Department of Conservation que fica em Welllington. Existe também um clube de aviação local que promove passeios panorâmicos de avião e planador, assim como de asa delta. Os preços são salgados, mas para quem quer aproveitar do melhor que a cidade pode oferecer, é uma atração obrigatória.
Para quem curte automóveis, o museu de carros local é uma grande idéia. Com uma entrada razoavelmente barata, o visitante tem acesso a uma das maiores coleções de toda Ásia e Oceania.

Dia 02

Acordei cedo com o barulho das ondas e levantei animado. Apesar do frio lá fora (11ºC) o interior do albergue estava agradável. Barnacles Seaside Inn é uma construção histórica de 1923 que foi restaurada para receber os mochileiros que passam pela região. Você também encontra diversas fotos que contam a história do local por toda parte. Não oferecem café da manhã, mas isso é resolvido facilmente no comércio próximo.
Agasalhei-me e peguei algumas informações na recepção. Saindo da Inn, você dá de cara com o oceano claro que parece infinito até a ilha de Kapiti, uma vista incrível. Andei até o comércio e tomei um café da manha reforçado antes de pedalar pela cidade. O clima frio sempre me animou, por isso fui até o museu de carros pela praia (o caminho mais longo). Passei toda a manhã e parte da tarde lá dentro e posso garantir que vale cada centavo para os interessados.
À tarde, sai para um outro restaurante próximo à praia. Nada muito chique, apenas comidas locais e um ambiente calmo. Perguntei sobre a vida noturna da cidade para um dos garçons e descobri que esta se resume ao centro da cidade. Todos parecem convergir às lojas e ao cinema durante a noite, por isso resolvi conhecer.
O point noturno de Paraparaumu é essencialmente o cinema – pelos menos quando se trata dos jovens. As lojas e a praça reúnem os mais idosos e crianças. Uma cidade pequena e pacata, conclui. Excelente para descansar.

Dia 03

Neste dia o sol resolveu aparecer e tornou o tempo ameno (18ºC), por isso resolvi investir numa pedalada até uma das atrações de “diversão garantida para os jovens”, segundo meu guia local, o recepcionista. Rsrs.
Cheguei ao local no final da manhã. Parecia uma fazenda comum, por isso fiquei um pouco incerto até um senhor me atender. Conversamos durante uns 5 minutos até ele gritar pelo seu filho, Bernard, que tinha aproximadamente 25 anos.
Acompanhei Bernard até um galpão grande e abri um sorriso quando vi os quadricículos. Ele pareceu partilhar do meu ânimo quando me jogou um capacete e me perguntou se eu sabia como pilotar um desses. Pedi algumas instruções básicas e logo estávamos saindo do galpão.
Ele foi na frente enquanto eu pegava segurança no veiculo nervoso, mas logo que peguei o jeito emparelhei ao lado dele e falei que queria correr. Pra quê? Hahahaha...
Até então estávamos numa trilha de terra batida que fazia nossa velocidade inicial parecer lenta, quase tediosa. Mas então ele acelerou e entrou numa trilha no meio de um matagal que subia em direção ao topo de uma montanha próxima. Daí o negócio todo mudou...
Voamos através de clareiras e riachos enquanto a subida não cedia. Ele sempre a frente, mostrando o caminho seguro com velocidade e eu logo atrás com o sorriso largo de uma criança alegre. Depois de pouco mais de 20 minutos de trilha, chegamos ao topo desta montanha e ele parou, mostrando-me a vista. Estávamos no topo da montanha e eu podia ver toda a cidade, o mar e até a ilha Kapiti. Que vista maravilhosa.
Rodamos mais um pouco pela trilha que Bernard chamava de “Bernard’s Hardcore Trail”, que não era de fato uma trilha, e sim um caminho que ele parecia inventar ao seu bel prazer. Trinta minutos mais tarde, chegamos de volta ao galpão. Eu estava completamente coberto por barro, galhos e folhas. Quase havia acertado algumas árvores e tombei num trecho mais fundo dum riacho que tentamos atravessar à toda. Mas tirando minhas roupas molhadas e o frio que prometia uma bela gripe, me diverti como poucas vezes na minha vida.
Voltei para o albergue e ri com o recepcionista enquanto mostrava meu estado. Pelo restante do dia apenas fiquei na net, dando noticias e respondendo aos e-mails...

Dados extras:

Estadia: Barnacles Seaside Inn, $NZ 10-30 por noite.
Refeições: $NZ 10-50, café da manhã é mais barato que as demais refeições.
Atividades: Kapiti Four X4 Adventure Ltd, $NZ 30-40. Levar roupas extras!
Observações: Média de idade da cidade, 35-50 anos. A cidade bomba no verão, jovens de todo o pais vem atrás dos esportes radicais.
População: Aproximadamente 19,000 habitantes.

Volto, amanhã para terminar a minha estadia em Paraparaumu e contar também sobre Otaki, meu destino posterior.

Um beijo mordido!

terça-feira, 16 de junho de 2009

A partida de Wellington

Uma boa noite a todos que acompanham este humilde blog.

Estou de volta para uma atualização mais consistente. Este post será dividido para que a leitura não fique tão maçante. Rsrs...

Acordei cedo ainda num albergue do centro da capital da Nova Zelândia. O sol ainda se levantava tímido no horizonte enquanto eu fechava minha mochila e a colocava nas costas, descendo até a residência do zelador para me despedir.
Peguei minha bicicleta e olhei pro céu nublado. O tempo estava agradável. Uma leve brisa trazia o cheiro do mar e mantinha o clima fresco. Por isso, montei sem hesitação e iniciei a pedalada.
Entrei na NZ01 antes das 8h o que me deixou ainda mais animado. Ouvia Pink Floyd e Perfect Circle aproveitando a paisagem que sempre me tirava um pouco do fôlego. Montanhas postavam por todo caminho, ladeando a estrada que mais parecia uma longa montanha russa: cheia de altos e baixos. O mar me espiava através das brechas ocasionais na paisagem verde dando-me ânimo. Assim o tempo passou rápido e determinado enquanto eu seguia despreocupado. Tão despreocupado fui que não notei o tempo fechar. Quando entro numa longa descida vejo a minha frente a cortina de chuva da qual me aproximava com velocidade.
Parei quase instantaneamente e puxei minha capa de chuva da mochila. Tentei colocá-la sobre mim e sobre a mochila, o que se provou mais difícil do que esperava. Tentei pedalar com ela mas percebi q ela pendia para os lados, desprotegendo a mochila. Por isso, desci e prendi a capa nos elásticos da mochila também. Tudo parecia certo agora. E para minha futura frustração, segui sem checar o resultado da cobertura improvisada que montei.
Mudei a musica para Incubus e Linkin Park para acelerar o ritmo da pedalada e assim segui até Paraparaumu. Fui o mais rápido que pude, com certo temor pelo material eletrônico que carregava e cheguei pouco depois das 11h.
Paraparaumu é uma cidade linda de dar água na boca. Mesmo com o tempo chuvoso, senti como aquela cidade tímida guardava uma beleza fantástica.
Pedalei admirado até encontrar um posto. Pedi informações e me dirigi ao albergue mais bem recomendado de lá, próximo a praia. Cheguei em menos de 30 minutos e fiquei satisfeitíssimo com o local. Uma construção discreta de interior agradável e impecavelmente limpo. Arranjei um quarto simples onde pudesse guardar minha bike e me pus a desfazer a mochila.
No inicio achei que a umidade era apenas resultado da capa de chuva que acabara de tirar de cima da mochila, mas ao retirar as roupas encharcadas comecei a ficar descrente. Peguei a capa e estendi na minha frente, vendo o rombo que um dos zíperes havia feito bem no meio dela. Larguei rapidamente a capa e comecei a verificar o conteúdo da mochila. Todos os livros estavam praticamente sem uso, a não ser pelo Twilight (Crepúsculo) que havia comprado em Wellington para reler. Meu notebook tinha juntado água em seu interior e meu celular parecia ter se afogado numa piscina.
Peguei minhas roupas e fui atrás de uma secadora. Achei uma na lavanderia do albergue e coloquei todas lá. Meus livros, joguei uns no lixo, outros tentei secar em vão. Meu notebook ficou aberto no lugar mais seco que pude encontrar enquanto meu celular descansava ao sol completamente desmontado.
Depois de pegar minhas roupas na secadora, decidi que a lamentação pelo ocorrido já fora suficiente e parti faminto para o restaurante mais próximo. Comi muito bem, servido de um excelente filé ao molho de mostarda acompanhado de massa caseira e um vinho tinto seco da região.
Saí do restaurante pronto para um passeio tranqüilo pela praia. Montei na minha companheira e vaguei pela belíssima praia de Paraparaumu. O tempo não colaborou muito com meu passeio, ameaçando chover a qualquer instante. Já era o final da tarde e resolvi dar o dia por completo e me dirigi até o albergue para descansar.
O dia seguinte foi recheado das atrações do local: ecoturismo, gastronomia e cultura. Mas isso eu conto no meu próximo post...

Um beijo mordido!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Livre e ansioso!

*Clique na imagem para visualizar melhor!

Boa tarde queridos leitores, cá estou novamente!

Depois de uma mês bem puxado com dois turnos de trabalho, me vejo livre e ansioso para explorar a Nova Zelândia. Agora tenho uns trocados extras e um conhecimento melhor deste país para me ajudarem nessa viagem que planejo começar o quanto antes!

Tenho a mochila pronta, as despedida feitas e as contas pagas. Já andei com minha mochila nas costas durante uma de minhas pedalas e constatei que é realmente viável essa aventura de atravessar o lugar no pedal.
O tempo tem sido uma certa incógnita até então, mas estou de olho nas previsões do tempo para num ser pego de surpresa.
A estrada é uma delícia. A NZ01 (rodovia principal daqui) tem asfalto perfeito para pedalar horas sem muito esforço. O pequeno detalhe são os morros e montanhas que existem por toda Nova Zelândia e que servirão de desafio para mim.

Meu primeiro destino é Paraparaumu (é isso mesmo!), uma cidade praiana que vive tanto da pesca como do eco-turismo – que tanto me interessa. Esta dista pouco mais de 50km de Wellington através da NZ01. Logo, deve ser uma viagem tranqüila (pouquíssimas montanhas) e rápida (pouco mais de 2h).

De agora em diante, devo atualizar o blog a cada cidade que visitar. Sempre trarei notícias minhas e um breve relato da minha estadia em cada cidade que atravessarei. Espero que possa entretê-los com minhas experiências.

Por enquanto é só. Volto aqui antes de sair de Wellington.

Um beijo mordido.